Educação Ambiental no Mundo
A partir da década de 1960, a reflexão sobre os temas da qualidade de vida dos modelos de desenvolvimento e de degradação ambiental se articulam numa agenda política de amplitude mundial. Dentro desse contexto, em 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou em Estocolmo, Suécia, a primeira conferência sobre o ambiente humano. Atendendo a necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns que servissem de inspiração e orientação à humanidade, para a preservação e melhoria do ambiente onde se habita, a conferência gerou a declaração do ambiente humano.
Nesta conjuntura de rupturas com antigas perspectivas de mundo, a Conferência recomendou que deveria ser estabelecido um programa internacional de Educação Ambiental (EA) visando educar o cidadão comum, para que este manejasse e controlasse seu meio ambiente. A recomendação n°96 da Conferência reconhecia o desenvolvimento da EA como elemento crítico para o combate à crise ambiental. Dentro desse contexto ocorreu na Iugoslávia o encontro Internacional de Educação Ambiental. Ele gerou a carta de Belgrado que propõe princípios e orientações para um programa internacional de educação ambiental. No entanto, é somente em Tbilisi que se determina o rumo da EA em âmbito internacional.
No ano de 1977, em Tbilisi, Geórgia, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), foi organizada pela UNESCO em cooperação com o programa das nações unidas para o meio ambiente (PNUMA). Primeira Conferência Intergovernamental em Educação Ambiental, a conferência de Tbilisi constituiu-se em um ponto de partida de um programa internacional de educação ambiental contribuindo para precisar a natureza da EA, definindo seus objetivos e suas características, assim como recomendações e estratégias pertinentes ao plano nacional e internacional da EA as estratégias pertinentes ao plano nacional e internacional da EA. Dentre os pontos norteadores do programa constam o caráter contínuo, multidisciplinar, integrado às diferenças regionais e voltado aos interesses nacionais. Passados 30 anos, os princípios da conferência de Tbilisi ainda se constituem como fundamentais para elaboração de programas de EA em todo o mundo.
Em 1992, realizou-se no Rio de Janeiro a Conferência da ONU sobre meio ambiente e Desenvolvimento (RIO-92), com a participação de 170 países. Entre as principais pautas estava examinar a situação ambiental do mundo e as mudanças ocorridas depois da Conferência Estocolmo. Esta Conferência iniciou a elaboração da Carta da Terra, lançou a agenda 21 e embasou eventos como a conferência de Kyoto no Japão em 1997, que originou o Tratado de Kyoto (2005).
A Educação Ambiental hoje se apropria das temáticas emergentes dos debates sobre o meio ambiente, como por exemplo, mudanças climáticas, a questão da água, a biodiversidade, utilização de energias alternativas, entendendo que estes temas estão vinculados a formação de uma sociedade pautada na justiça social, na participação democrática de seus rumos. Vivemos a década da Sustentabilidade.
Recomendações de leitura
GOLDEMBERG, J. Trinta anos da Convenção do Clima. Estudos Avançados, v. 37, n. 107, p. 277–288, jan. 2023. https://www.scielo.br/j/ea/a/kzFsgKMJCYxRzqM8FTdsqVw/
ONU e seus marcos ambientais - https://www.unep.org/pt-br/news-and-stories/story/environmental-moments-un75-timeline?_ga=2.37073696.125292985.1603219350-1592602719.1539581869